Gêneros Literários – Todos os Gêneros

O Gênero Narrativo, resultante da evolução do gênero épico, é um dos mais importantes de todos os tempos. Hoje, ocorre sobre tudo no romance, no conto, na novela e na crônica.

Sua característica é apresentar uma história, uma sequência de fatos com os seguintes elementos: Personagem, ambiente, enredo, tempo.

A personagem

A personagem não corresponde a realidade. É uma ficção, produto da imaginação do autor, embora, por isso mesmo, possa assemelhar-se a uma pessoa real.

É frequente, que a personagem tome outros aspectos, como:

  • Uma animal, um vegetal ou mesmo um ser inanimado;
  • Um conjunto de pessoas, de animais, de seres inanimados, quando se chama personagem coletiva.

Dois traços básicos marcam as personagens:

  • Os físicos, que são mais evidentes, pois referem-se à altura, ao peso, à cor da pele etc;
  • Os psicológicos, cuja compreensão requer mais atenção por parte do leitor, pois dizem respeito a idéias, sentimentos, emoções, lembranças etc.

Personagens:

  • Individuais: Temístocles, o prefeito etc
  • Coletivos: os dois times, as duas cidades etc

Nem todos te a mesma importância. Por isso, alguns não chegam a ter nome, enquanto outros são melhor caracterizados.

Características físicas:

  • Temístocles: chutava com as duas pernas, era forte como um touro etc;
  • Colossal: era crioulo.

Características psicológicas:

  • Temístocles: corajoso, profissionalmente instável, sedutor etc;
  • Betinho: inexperiente.O Ambiente

O ambiente

Consiste no espaço onde ocorrem as ações narradas. Dois aspectos assumem relevo:

O físico

É integrado pelos lugares onde ocorrem as ações narradas: campo ou cidade; cidade do interior ou metrópole etc; lugares públicos ou privados: a rua, o campo de futebol, o bar, a praça etc.

O cultural

Estabelecido pelas instituições sociais em jogo, seja nas personagens, seja através do enredo, como as maneiras de atuar e reagir, individuais ou grupais, os costumes, os hábitos, os instrumentos de trabalho ou de lazer etc.

No texto lido, por exemplo, há:

  • Dois níveis do espaço físico: em primeiro lugar, uma cidade do interior brasileiro; em segundo, um local da prefeitura.
  • Quanto a traços do espaço cultural: gosto pelo futebol, rivalidade entre as cidades, suborno de jogadores, idealização dos jogadores de futebol, com criação de lendas e paixões despertadas por Temístocles etc.

O Enredo

Pode se entender o enredo como conjunto dos acontecimentos de que participam as personagens, no ambiente dado, durante determinado tempo.

São constituintes essenciais do enredo, na ordem em que se apresentam:

  • A disputa entre duas cidades, por causa do futebol;
  • O suborno do centroavante de umas dessas cidades;
  • A nessecidade e a procura de um substituto;
  • A saída de um emissário para contato com o substituto;
  • A expectativa da cidade e as lendas sobre o substituto;
  • O retorno do emissário.

O Tempo

Em toda narrativa existe um limite de tempo para as ações das personagens, ou, dizendo de outra maneira: o enredo tem um limite inicial e um limite final de tempo. Há histórias que duram por alguns momentos; outras, um ou vários dias. Há romances que abrangem meses ou anos.

O tempo pode ser cronológico ou psicológico.

O tempo é cronológico quando os acontecimentos se ordenam naturalmente na sequencia temporal do mundo físico como o que se dá na história de Temístocles.

O tempo é psicológico na história cujos fatos não se organizam pelo relógio ou pelo calendário, mas pela vida interior da personagem, para dizer o que ocorre em seu íntimo, como pensamentos, emoções, sentimentos.

As origens e formas das narrativas

Originalmente, as narrativas eram elaboradas em verso. É o caso da epopeia e do poema narrativo.

À epopeia cabia exaltar os heróis nacionais e seus grandes feitos. Elaborada em versos solenes, revelava, mediante a narração de atos heroicos, o nacionalismo, o heroísmo e o maravilhoso. São obras épicas importantes na cultura ocidental:

  • Na Grécia: a Ilíada e a Odisséia, de Homero;
  • Em Roma: a Eneida, de Virgílio;
  • Em Portugal: os Lusíadas, de Camões.

O poema narrativo era uma composição em verso que continha personagens e apresentava uma sequencia cronológica de fatos, com extensão bem menor que a epopéia e sem sua grandiosidade.

A alteração dos padrões culturais entre os séculos XVI e XVIII provocou a evolução dos gêneros. A epopéia cede lugar de importância ao romance.

O Lirismo

A palavra lirismo deriva de lira, porque, nas origens, refria-se a canções que eram acompanhadas pela melodia desse instrumento musical. Depois do texto passou a ser lido, em vez de cantado e musicado.

O texto lírico, tal como o narrativo, é uma expressão do indivíduo: ambos resultam da relação entre o homem e a realidade que o circunda. No caso do indivíduo, em que a relação se dá entre o eu e a realidade, um dos dois sempre assumem maior importância e peso.

Nos textos literários, que expressam tal relação, o desequilíbrio entre os elementos leva a duas situações:

  • Objetividade: quando a expressão dá maior peso a realidade e, em consequência, menor valor ao eu.

Neste caso, os seres são figurados idênticos a si mesmos, predominando a linguagem denotativa, os aspectos descritivos do mundo exterior;

  • Subjetividade: quando a expressão atribui mais importância ao eu que à realidade.

Aqui, o que predomina é a vida interior do eu: suas emoções, seus sentimentos, seus desejos, suas lembranças do passado.

Comparando-se o lirismo com a narrativa, temos:

  • Lirismo: maior subjetividade;
  • Narrativa: maior objetividade.

O Gênero lírico é autêntica fala do coração, do eu, que se denomina eu-lirico. Por isso, a composição lírica é geralmente curta e se utiliza do verso, apelando quase sempre a melodia envolvendo os recursos de linguagem poética.

Embora, em literatura, a palavra poesia praticamente seja sinônimo de lírico, por relacionar-se a sentimentos e emoções pessoais, ela é praticamente impossível de definir, podendo ocorrer sem verso e até fora da linguagem literária, como num filme, numa cena doméstica ou em outras situações.

As origens e as formas do lirismo

No passado remoto, em suas origens gregas, as formas líricas eram inúmeras, classificando-se conforme cantassem sentimentos guerreiros, políticos, morais, amorosos, ou conforme se destinassem ao tanto individual ou por um coro.

Modernamente, as classificações tenderam a desaparecer, designando-se de maneira geral, como poemas as composições líricas.

Entre algumas que permaneceram por mais tempo ou tiveram mais importância, estão:

O soneto – forma poética com 14 versos que se apresentam em dois quartetos e dois tercetos. É uma das formas de mais difícil elaboração, exatamente por Ter um método exato e por envolver grandes necessidades de síntese, com um esquema de rimas bastante rigoroso;

  • a ode – geralmente bem mais longa que o soneto, comportava vários tipos de sentimentos, inclusive a análise de conceitos, pensamentos e reflexões;
  • a balada – canção para ser dançada, que envolvia tanto aspectos narrativos como líricos;
  • a elegia – destinada, de maneira geral a assuntos mais ligados a tristeza e a melancolia;
  • a cantiga – era de caráter popular e desenvolve-se na idade média.

O Teatro

O gênero gramático, hoje simplesmente teatro, contém elementos literários e não literários.

O teatro dispensa o narrador, uma vez que cada personagem fala por si mesma, por ter vida própria , o que não sucede na narrativa, em que o narrador de certa forma comanda as personagens. Embora em ambos os gêneros haja acontecimentos, enquanto a narrativa os apresenta, de forma indireta – pela leitura-, à imaginação do leitor, o teatro os representa, isto é, torna os presentes, no palco ou em espaço equivalente, diante dos olhos do espectador.
O elemento literário é o texto. Os não literários são:

O cenário- espaço físico decorado conforme os objetivos do texto;
– as personagens- figuras concretas que se movimentam, que atuam, tornando presentes, representando, as ações que o texto envolve;

– a comunicação direta, auditiva e visual, com os espectadores.
O conjunto desses elementos é hoje designado como espetáculo , embora nem todo espetáculo seja teatro. Este exije texto-base literário, ou seja, de ficção pela palavra.

As origens e formas dramáticas

Os textos do gênero dramático, e suas origens greco-latinas, eram:

A tragédia – era, para os gregos, o nome de representações em honra do Deus Baco, ou Dionísio. Como explica um estudioso, “a tragédia é uma desgraça final e impressionante, motivada pelo um erro imprevisto ou involuntário, envolvendo pessoas que merecem respeito e simpatia. Geralmente implica uma irônica mudança da sorte e comunica uma forte impressão de vazio. As mais das vezes, esta se faz acompanhar de infelicidades e sofrimentos emocionais”.

A comédia – ao contrário da tragédia, não pressupunha tema sério. Também originária dos cultos a Baco, envolvia assuntos leves, divertidos e até grosseiros.

O drama é modalidade recente e liga-se à evolução social que deu grande ênfase aos temas históricos e burgueses. Reúne elementos que antes eram próprios tanto das tragédias, quanto da comédia. Contém, por isso, assuntos sérios e cômicos, próprios da vida social, como os hábitos e costumes, as crenças, os preconceitos. Não raro, toma formas críticas, acentuando os vícios sociais e políticos.

O Trovadorismo

Trovadorismo é a escola literária que floresceu em Provença, sul da França, no fim do séc. XI, dominando a poesia européia até o século XIV.

Panorama Histórico-literário

Com o fim do Império Romano do Ocidente (476 a. D.) e as invasões bárbaras que assolaram a Europa, iniciou-se a idade média. As cidades se despovoaram e a população refugiou-se no campo, passando a viver no domínio de grandes propriedades rurais, chamadas feudos, e permitiram a instalação do povo humilde em suas terras, como servos, na condição de prestarem serviços, pagarem tributos e obedeceram aos senhores. Estes, em troca, ofereciam-lhes proteção.

Proteção. Num mundo violento, esse era um bom desejado por todos. Os próprios senhores feudais organizavam-se visando reforçar a capacidade de enfrentar ataques. A forma que encontraram para isso foi chamada relação de vassalagem, tipo de aliança em que um grande senhor feudal concedia parte de suas terras a outro nobre, para que este formasse um novo feudo. Em retribuição ao Dom, o beneficiado jurava lealdade ao benfeitor, prometendo também se juntar a ele nos combates. O senhor que concedia o feudo era chamado suserano, que recebia, vassalo.

A função social da aristocracia era de caráter militar. A educação dos jovens da nobreza voltava-se principalmente para a formação de cavaleiros, isto é, guerreiros a cavalos. Armar-se cavaleiro, ingressando na Ordem da Cavalaria, era um privilégio a que todo nobre aspirava, sobretudo os pobres, isto é, os que não tinham terras. Na educação do cavaleiro, incutia-se o ideal heroico, constituído de honra, coragem e lealdade. Simultaneamente, dava-se o adestramento nas armas. Mas, como tudo na Idade Média, não se concebia o ideal de nobreza independente da religião. O cavaleiro devia fazer da piedade e da virtude a própria essência de seu comportamento.

A Igreja Romana foi a força cultural mais influente da Idade Média. A ela coube a tarefa de explicar e justificar o mundo, e ela o fez através do teocentrismo. Segundo essa ideologia, há uma ordem perfeita e imutável no universo e na sociedade, e essa ordem perfeita e imutável no universo e na sociedade, e essa ordem provém de Deus, que é o centro de tudo. Portanto, tudo deve voltar-se a Ele, o que justifica de se posicionar os bens espirituais acima dos materiais, cultivando-se os valores cristãos.

O ideal cavalheiresco

A literatura medieval expressa vivamente o espírito cavalheiresco, mescla de valores aristocráticos e religiosos, como se pode notar nas novelas de cavalaria e na poesia trovadoresca.

As novelas de cavalaria deram razão, principalmente, ao espírito épico cavalheiresco. Trata-se de composições narrativas em prosa que celebram feitos de armas de heróis exemplares, como os cavaleiros da Távola Redonda do Rei Arthur, enaltecendo virtudes guerreiras e morais, de acordo com o ideal ascético do cristianismo.

A poesia trovadoresca provençal, por sua vez, foi a expressão mais alta do lirismo europeu medievo, anterior a Dante e Petrarca.

O amor cortês

Nas cortes feudais de Provença, desnevolveu-se uma cultura sofisticada, de sensibilidade mundana, atenta à natureza e voltada para a valorização sensual do amor e da mulher.

Nunca o amor fora tratado como o centro da vida, tal como se deu na poesia dos trovadores e jograis. Nessa poesia, o jogo amoroso obedece a um intrincado conjunto de regras, que reflete o comportamento da corte feudal. Por isso, fala-se em amor cortês para caracterizá-lo. Entre essas regras, destaca-se a da mesura (ponderação, senso de medida), que não permitia mencionar o nome da amada uma vez que a mulher era casada. Esse amor adulterino destoa da moral teocêntrica.

Com o tempo, o culto à mulher foi adquirindo contornos mais espiritualistas, a ponto de o sentimento inspirado por ela ser sublimado na forma de amor platônico. O trovsdor apaixonado presta vassalagem à senhora amada, inatingível. A vassalagem amorosa metaforiza a relação de vassalagem, que defina os vínculos hierárquicos da nobreza feudal.

O Barroco

O barroco da História da Arte, é o estilo que marca presença desde o fim do séc. XVI até meados do séc. XVIII; no entanto, seu período mais característico é o mesmo o séc. XVII.

A hipótese mais difundida para justificar a denominação dada período da arte é a de que o termo “barroco” deriva de Broatki, província da Índia descoberta por colonizadores portugueses em 1510. Esses comerciantes passaram a chamar a região de Baróquia, porque lá se colhia, em abundancia, um tipo muito especial de pérolas; de superfície áspera, bastante irregular e com uma coloração que mesclava tons brancos e escuros. O aspecto estranho e bizarro dessas pérolas fez com que elas se tornassem muito solicitadas na Europa.

O termo foi incorporado à arte porque o Barroco privilegia a riqueza de detalhes e de ornatos. Na pintura, caracteriza-se como a arte do chiaroscuro (claro-escuro). A predominância de linhas curvas, com forte sugestão de movimento, explorando novos efeitos de perspectiva e de aparência irreais, com muitas filigramas na ornamentação (folhagens, volutas, arabescos) são elementos que se aglutinam para reforçar a propriedade de tal identificação.

Panorama Histórico-literário

Complexo e multiforme, o Barroco diferencia-se do Classicismo anterior pela exuberância de imaginação e pela efervescência de imagens sinuosas e assimétricas. Transgredindo o princípio da harmonia universal buscando pelos clássicos, o Barroco se caracteriza pela contorção das formas e pela instabilidade.
O dinamismo e o desequilíbrio , marcas características do Barroco, de certa maneira espelham as reações da Igreja e das monarquias absolutistas ao processo revolucionário instaurado pelo Renascimento e pela Reforma. O epicentro desse reacionarismo ultraconservador foi a Espanha de Felipe II, manifestando-se intensamente nos sessenta anos em que esse país dominou Portugal (1580-1640).

A contra ofensiva da Igreja teve início com a realização do Concílio de Trento (1545-63), que restabeleceu normas doutrinas e morais rígidas, reativando a Inquisição, com suas práticas de perseguição, tortua e outras hostilidades aos considerados “herges”.

Empenhada em restaurar seu prestígio e seu poder, a Igreja instituiu também o Index Libri Improbi (1571), em que listava as obras de leitura proibida aos católicos. Além das que divulgavam o pensamento reformista de Martinho Lutero e João Calvino, incluíam-se nessa relação as obras de Niccolò Maquiavel, Nicolau Copérnico, Galileu Galilei, Isaac Newton, Giordano Bruno e muitos outros. Assim, uma época de fascinante abertura, sucedia-se um período de obscurantismo e repressão, armado pela Igreja e apoiado pelas monarquias absolutas.

A companhia de Jesus, fundada em 1540 para servir de ponta-de-lança à Contra Reforma, assumiu o controle das principais escolas e universidades, impondo-lhes a filosofia da escolática medieval em sua corrente tomista, de linha mais tradicional e intransigentemente dogmática.

Esse autoritarismo mandonista da Igreja refletiu-se em praticamente todas as formas de arte barroca. Como a religião transformara-se de novo em elemento primordial da vida individual e coletiva, o Barroco tornou-se, nos países católicos, a arte da Contra-Reforma.

O Dualismo Existencial

O homem barroco, pelas cincurstâncias já referidas, teve uma vida tensa, tornando-se um ser dividido e angustiado. Essa sensação sufocante provém das pressões antagônicas a que foi submetido: de um lado, encurralado pela Contra-Reforma; do outro, querendo preservara perspectiva libertária que lhe fora revelada pelo Renascimento.
Acuado, o que fez para sair desse impasse? Assumiu diante da vida atitudes duplas e contraditórias: procurou conciliar o antropocentrismo renascentista com o teocentrismo medieval/contra-reformista. A essa busca de síntese existencial corresponde o fusionismo ou hibridismo, traço fundamental da arte barroca.

Tornou-se assim um ser “anfíbio”: procurou desfrutar os prazeres materiais da efêmera vida terrena (temática do carpe diem horaciano, “aproveita intensamente o dia”), ao mesmo tempo em que se reaproximou da Igreja para assegurar a felicidade eterna. Para alcançá-la, sentiu necessidade de dialogar com Deus, pois “o santo só pode surgir através do homem”, como considerava Pe. Antônio Vieira, o escritor mais representativo do Barroco na lígua portuguesa.

Esse dilema, essa permanente sensação de dúvida, insegurança e hesitação vem demonstrada, por exemplo, do soneto seguinte:

“Delírios da Natureza”

Em um ponto muito me alegro, e me entristeço,
Choro,e rio, ouso, e temo, vivo, e morro,
Caio, e grito, contemplo, e não discorro,
Parto, e fico, não vou e me dispeço.

Lembrando-me de mim, de mim me esqueço
Ora fujo, ora torno, paro e corro,
Já atado, já solto, preso, e forro,
Lince, e cego,me ignoro, e me conheço.

Eu mesmo me acredito, e me desminto
Eu mesmo agravo o mal, e peço a cura
Eu mesmo me consolo e me ressinto.

Saiba, pois, toda a humana criatura,
Que, para escapar deste labirinto,
Há de fugir às mãos da formosura.

(Francisco de Pina e Melo, Rimas, 1a parte, 1725)

O Romantismo

O Romantismo é a arte do sonho e da fantasia. Valoriza as forças criativas do indivíduo e da imaginação popular. Opõe-se à arte equilibrada dos clássicos e baseia-se na inspiração fugaz dos momentos fortes da vida subjetiva: na fé, no sonho, na paixão, na intuição, na saudade, no sentimento da natureza e na força das lendas nacionais.

Panorama Histórico-literário

A arte romântica domina a primeira metade do séc. XIX, tendo se originado no final do séc. XVIII, na Alemanha e Inglaterra. Seu ponto de propagação mundial foi a França, no começo do séc XIX.

O movimento romântico surgiu como oposição ao espírito racional dos clássicos (equilíbrio, perfeição, clareza, harmonia, disciplina) e como meio de expressão da burguesia, que define o seu poder com o sucesso político da Revolução Francesa(1789) e com o prestígio econômico da Revolução Industrial (1760). Expressando o anseio de liberdade dessa nova classe, então eufórica com a recente vitória sobre a nobreza decadente, a literatura romântica baseia-se na imaginação e no sentimentalismo, qie desrespeitam as normas e os modelos da literatura clássica, vinculada ao Antigo Regime. Resulta daí uma literatura impetuosa, apoiando-se num tipo de frase envolvente e calorosa, bem próxima das expectativas populares.

Sintetizado a rebeldia romântica, Victor Hugo dirá, em 1827, no prefácio de sua célebre peça Cromwel: “Metamos o martelo nas teorias, nas poéticas e nos sistemas(…) Nada de regras nem de modelos”. A partir de então, a literatura deixou de ser produzida para os salões aristocráticos da nobreza em livros de grande tiragem, jornais e revistas. O público leitor de então passa a ser o banqueiro, o negociante, o industrial, o médico, o professor, o advogado, o estudante etc.

A sensibilidade Romântica

O romantismo é rebelde e revolucionário. Sua revolução representa na literatura o que a queda do Antigo Regime representou na evolução política da humanidade. O gosto literário do Antigo Regime corresponde ao Classicismo, em sentido amplo (Renascimento, Barroco, Arcadismo), assim como o Romantismo dá início à sensibilidade contemporânea, que envolve o Realismo, Naturalismo, Impressionismo, Parnasianismo, Simbolismo e as várias fases do Modernismo. Além da rebeldia e do espírito revolucionário, as principais características da literatura romântica são: individualismo, nacionalismo e liberdade.

Individualismo

Individualismo é sinônimo de subjetivismo, egotismo e personalismo. Todos esses vocábulos apontam para o culto do eu. Só quer dizer que o romântico expressa de maneira livre e quase direta as experiências pessoais e íntimas: amores, dúvidas, ânsias, delírios, desejos, medos e paixões. Assim, a arte romântica poderá ser tanto eufórica, com explosões de entusiasmo e otimismo, quanto melancólica, com crise de depressão e pessimismo.

Nacionalismo

O artista Romântico valoriza as tradições populares, o folclore e a história de sua pátria. Ama o pitoresco, o exótico e a cor local da terra natal ou região em que se criou. Decorre daí, no Brasil, o culto da natureza (naturismo): índios heroicos, mata virgem, rios, mitos e guerras tribais. Na Europa, a atenção dos artistas voltou-se mais para as lendas medievais (medievalismo), que envolviam a vida nos castelos e as guerras entre cristãos e árabes. Além de representarem aspectos e o medievalismo podem também ser entendidos como consequência da ânsia de evasão ou escapismo, isto é, desejo de fuga da realidade imediata.

Liberdade

A liberdade romântica possui conseqüências técnicas e temáticas. Do ponto de vista técnico, a liberdade manifesta-se na ruptura com as normas rígidas da composição clássica: criam-se novos ritmos, novas combinações métricas, novos gêneros e novas formas poéticas. No teatro, cria-se o drama, que é uma deformação da tragédia clássica. No lugar do soneto clássico, prefere-se uma forma aberta e livre de poesia chamada poema, que tanto pode ser lírico quanto épico.

Na narrativa, consolida-se o romance, que é uma longa estória de aventura ou amor que envolve situações ou valores burgueses. Entram em moda também a novela (narrativa menor que romance) e o Conto (narrativa menor que a novela). D o ponto de vista temático, a liberdade romântica intensifica o uso da imaginação, dos sonho, do ideal e da fantasia. Surgem, assim, os cenários macabros, com cemitérios, espectros e aves noturnas.

O Estilo Romântico

Os artistas românticos incorporam ao estilo literário o sentimento da natureza, isto é, passam a ver na paisagem significados e sentimentos que na verdade pertemcem a eles próprios. Essa projeção do sujeito sobre a natureza infuencia o estilo da literatura romântica, que imita as cores, os sons, os ritmos, os cheiros, e as linhas da paisagem. No Brasil, em especial, os escritores se deixam influenciar também pela língua natural da terra, o tupi-guarani .

Além das sugestões da fauna, da flora e dos primitivos habitantes de nossa matas, a linguagem dos centros urbanos e das diversas regiões do país influenciou substancialmente o estilo literário do romantismo brasileiro. A essa pressão da linguagem falada sobre a escrita da-se o nome de brasileirismo linguístico. Ele acabou criando um sistema próprio de colocação pronominal, diferente do de Portugal, e imprimiu um ritmo també, próprio à sintaxe brasileira, muito mais próxima de nossa sensibilidade.

De modo geral, numa frase românica há mais sentimento do que organização estética, isto é, observa-se nela o predomínio da função emotiva da linguagem. Quer dizer, a primeira pessoa gramatical sobrepuja as demais, havendo recorrência intensiva de interjeições, exclamações e reticências.